O
Autor:
Nascido na Itália em 1856, Ferri formou-se
em direito na Universidade de Bolonha em 1877 e publicou a tese sobre L'imputabilità umana e la negazione del libero arbitrio ,1879. Assim,
negando o livre-arbítrio e sua óbvia conseqüência, a responsabilidade moral,
Ferri deslocou o problema do crime para o estudo do criminoso. Catedrático de
direito penal, reeleito deputado sucessivas vezes desde 1886, Ferri dirigiu o
jornal socialista Avanti! de 1900 a 1905. Em 1921 publicou o Progetto
di codice penale italiano, que influenciou sensivelmente a legislação penal
brasileira. Morreu em Roma, em 12 de abril de 1929.
A Obra:
Na capa, você vê Medéia rejuvenescendo
Jasão, na versão de Giorgio Vasari, Palácio della Signoria, Florença. Ora,
segundo a lenda grega, a feiticeira Medéia ajudou Jasão, líder dos argonautas, a
obter o velocino de ouro. O mito é conhecido pelas versões literárias que lhe
deram Eurípides, Ésquilo, Ovídio e Sêneca. Medéia, a criminosa passional por
excelência, apaixona-se por Jasão e, depois de ajudá-lo a realizar seus
objetivos, segue com o grupo até a pátria de Jasão, Jolcos, na Tessália. Mas
Jasão apaixona-se por Glauce e abandona Medéia que, inconformada, estrangula os
próprios filhos que tivera com
Jasão e presenteia a rival com um manto mágico que se incendiará ao ser vestido,
matando-a. Honrada como deusa em Corinto e sobretudo na Tessália, sua lenda
serviu de tema a obras artísticas e literárias de todos os tempos, das quais a
mais conhecida é a tragédia Medéia, de Eurípides. O personagem inspirou as peças
de Corneille e Jean Anouilh, a ópera de Cherubini e, no século XX, um filme de
Pier Paolo Pasolini estrelado por Maria Callas. No Brasil, o tema inspirou a
peça Gota d'água, de Paulo Pontes e Chico Buarque de Holanda. Neste
livro, Medéia também é mencionada, como o são também inúmeros outros personagens
famosos da literatura universal. Os artistas, tanto para Ferri quanto para César
Lombroso, teriam uma visão especial que lhes permitiu vislumbrar o tipo
criminal muito antes que a ciência o fizesse, na antiga escola de
antropologia criminal que então fazia seus progressos.
Para Enrico Ferri, a delinqüência é uma
conseqüência de fatores antropológicos e sociais. O objeto último das leis
penais seria, portanto, prevenir a criminalidade e não apenas castigá-la. Nesta
obra, são analisados a fundo vários crimes e vários criminosos famosos da lavra
de Shakespeare, Schiller, Victor Hugo, Zola, D'Annunzio, Ibsen, Tolstoi e
Dostoïewsky, entre outros.